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domingo, 3 de maio de 2009

Impermanências...

É estranho Um dia você é a pessoa mais importante, no outro, a menos lembrada... Hoje é um marco, um dia a ser lembrado, pois não mais vou ficar esperando nada...


De ninguém...


Pessoas que me chamam de amigo, porém não agem como tal, não farão parte da minha vida por chamado meu...


Não darei valor às pessoas que se aproximam de mim apenas nos momentos que querem algo de mim, mas se esquecem de mim nos momentos em que poderiam entregar algo do que eu gostaria...


Não darei atenção especial a quem não dá valor...


Não darei merecimento a quem não merece...


Não darei atenção a quem não dá em retorno...


De hoje em diante, eu declaro que paro de "proteger" as pessoas a meu redor.


Não vou fazer nada para amenizar nada... Nem dores, nem consciência...


Nem nada...


Agora é minha vida por mim mesmo...


E por quem por decisão própria resolveu estar perto de mim... E mais ninguém...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nós estamos certos?

O maior erro do ser humano é considerar a certeza em cima de uma convicção, baseada em uma ideologia não focada na realidade.

Todas as guerras travadas na história da humanidade foram feitas por causa de uma simples frase: "nós estamos certos"...

Agora, traduza essa frase para o Inglês:
We
Are
Right

Com as iniciais, temos WAR, traduzindo, para português, temos a palavra Guerra.

É exatamente isso que acontece, quando defendemos uma idéia acima dos limites aceitáveis.
Não é somente com guerras entre países que menciono, mas as guerras internas, as guerras frias entre pessoas, entre vizinhos, entre colegas...

Quando uma pessoa não respeita os seus próprios limites e tenta impor suas crenças às outras pessoas, acaba gerando nas pessoas à sua volta um sentimento de revolta, mesmo velado...

Esse sentimento, com o tempo, pode aumentar, gerando uma reação real, a qual, normalmente, sempre termina em geração de dor.

Como podemos evitar isso?

Bem, a meu ver, só com muita paciência... Tive uma amizade muito próxima a determinada pessoa... Porém, ao final, esta pessoa acredita estar dentro de um jogo, com a mentalidade "eu tenho a razão", é a mesma coisa no fim das contas.

Enquanto pensarmos assim, pensarmos que sempre nós não temos nada de errado a corrigir, nada de falho em nossas atitudes, estaremos propiciando que o desequilibrio aja em nós, levando dor aos que nos rodeiam.

Enquanto jogarmos a responsabilidade sobre os erros e fatos ruins de nossa vida em outras pessoas, estaremos nos esquivando da realidade. O que acontece é parte nosso e parte das pessoas... Para haver uma briga, é necessária a participação de duas pessoas. Um desentendimento, da mesma forma.

E não basta apenas refletir nisso...
Enquanto ficarmos repetindo velhos comportamentos, velhas atitudes e velhos pensamentos, estaremos fadados a repetir as mesmas experiências ruins.

Fugir da responsabilidade é o primeiro passo para a derrota.
Somos o espelho daquilo que julgamos errado nas outras pessoas.
Ser pedra é fácil, difícil é ser vidraça.
Enquanto enxergarmos na outra pessoa atos falhos, defeitos, e não um ser que é frágil e indefeso como nós, estaremos nos privando de entar em sintonia com a divindade existente na vida.

Convém também enxergar quando estamos apenas em uma relação de parasitismo, seja em âmbito mais profundo (namoro, casamento) ou não (outros tipos, como amizade, etc).

Como se dá esse parasitismo?
Quando entregamos mais do que recebemos, ou vice-versa. E aos que pensarem que é egoísmo pensar dessa forma meio que capitalista sobre relacionamentos, infelizmente tenho que dizer que só seres iluminados conseguem viver em uma situação dessas, sem receber de outros seres humanos, algo como motivação para continuar.

Se eu sou seu amigo (ou outra coisa), em determinado momento, certamente precisarei de algo que possa me motivar a continuar sendo, considere isso como regar uma planta. A planta que não é regada, cedo ou tarde, embora tente incessantemente viver, morrerá.

O normal do ser humano, é fugir das responsabilidades, evitar entrar em contato com o seu Eu interior, ver seus proprios erros e assumir a responsabilidade por eles.

É preciso ter coragem para encontrar a verdade e encará-la, para assim, vencê-la.
Quem conhece a si mesmo é sábio.
Quem vence os outros é forte.
Quem vence a si mesmo é poderoso

Tao The Ching

domingo, 21 de dezembro de 2008

Renascer...

Um dia me pediram para que mudasse para como era antes...
Um dia me pediram para que nunca mudasse...
Um dia me pediram para que mudasse para algo diferente...

Engraçado...

Como é estranho, as pessoas não te aceitam tal como tu és, mas sempre ficam pedindo que você se adapte a elas, e não o contrário...

Não vivo para agradar a ninguém... Se sente minha falta, me fale, me chame... Quem me conhece, quem eu permiti que me conhecesse, sabe bem como sou e que quem me procura, sempre me encontra.

Quem perdeu a chance de me conhecer realmente, como sou, a quem eu me despi das esquivas artimanhas de proteção, e conseguiu ainda assim perder a chance de me enxergar, nada mais posso fazer... a não ser desejar boa sorte na vida... Pois se já fiz tanto, nada mais posso fazer...

Eu vivo a minha vida, sou como sou, se alguém quer ficar a meu lado, é só vir, pois sempre estive de braços e coração abertos...

Não vou te mudar nunca...
Mas se quiseres me mudar, me perderás tão logo pense que me mudando serei melhor para ti...
Não por maldade, mas porque já tentei me permitir deixar ser mudado por alguém... Deixei que tudo em mim pudesse ser manipulado para agradar a alguém a quem estimava demais...
E no fim, estou com apenas a saudade e uma pedra de gelo encrustada no peito.

Sendo diferente do que sou agora, não serei mais EU, mas apenas algo para te satisfazer o Ego...
E quando satisfeito... me abandonarás como brinquedo antigo nas mãos de criança... Sempre foi e sempre será assim, não porque o humano seja mal, mas porque é humano e tende a isso sempre... por mais que eu tente acreditar que não...

Quem me conhece, sabe bem que a liberdade é a minha asa, que a justiça é minha outra asa.
~Enquanto não desisto completamente de alguém... Ainda me faço presente para a pessoa...~
Sejas puro(a) de coração, não me decepcione
Se me faltares com a verdade, eu te abandonarei...

São versos pequenos, sem muito sentido abstrato, porém, são via de regra comigo.
Mentira, omissão, falta de assumir as responsabilidades... não condizem comigo... nem com as pessoas que escolho estar perto... falte com isso, com a consideração... que logo verá que falto EU a seu lado...

Quer me conhecer melhor? Faz uma pesquisa no google por "cavalos marinhos", e veja se consegue descobrir como ele interage com outros da espécie, como é a "vida" deles, etc... e saberá como ajo na minha vida... em muitos aspectos...

Fora isso, não acredite que tenha algo garantido comigo, pois apesar de ser fiel como um cavalo, posso ir embora como uma estrela cadente... As juras de amor, de amizade, de apreço, são como fumaça... Em breves momentos podem se desfazer por completo...

Sei quem é meu amigo e minha amiga REAL, os que só querem que eu seja o "imaginário", por favor, desliguem isso em si mesmos, pois nunca serei isso na vida de ninguém... Ou sou real, ou não sou nada... Ou sou amigo de verdade, ou não sou nada, pois para mim, não existe amizade "Morna". Ou é calorosa, ou não existe. não existe e nunca existirá meio termo disso na minha vida.

Amigo de ocasião... bem, consigo compreender o termo, mas apenas considero troca de favores e de elogios... Manutenção dos Egos apenas...

A quem me despeço... F., J., entre outros etc... Boa sorte em tudo, felicidades... Adeus...
Espero que os sonhos realizados tenham sido bons...
A quem se aproxima, R., I., W., e outros mais.... Bem vindos a meu mundo, e que seus sonhos sejam realizados (e serão, como irão ver em breve...)...

Joy in Lye Agnon

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Meu Erro


Meu Erro
Os Paralamas Do Sucesso
Composição: Herbert Vianna


Eu quis dizer
Você não quis escutar
Agora não peça
Não me faça promessas...


Eu não quero te ver
Nem quero acreditar
Que vai ser diferente
Que tudo mudou...

Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone...

Mesmo querendo
Eu não vou me enganar
Eu conheço os seus passos
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe prá trás...

Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone jamais...

Mesmo querendo
Eu não vou me enganar
Eu conheço os seus passos
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe prá trás...

Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer
Que estar ao seu lado
Bastaria!
Ah! Meu Deus!
Era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone jamais...

Não me abandone jamais... (3x)




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Hoje eu resolvi acordar...

Outro dia resolvi dormir...

Descansar, relaxar...
Hoje, porém, resolvi acordar...

Não para dizer que tudo passa, que tudo muda...
Mas para dizer que mesmo que o corpo mude, que a consciência mude, nós, nossa real essência nunca muda.

Invente o que quiser na sua vida, mude de religião, mude de estilo, pinte o cabelo, faça uma tatoo...

Nada te afastará do que você realmente é por dentro...
Você tem algo dentro de si, desde criança, que aos poucos vai aprendendo a compreender, aos poucos vai compreendendo a libertar.

A cada dia, cada momento, vai aprendendo a existir. Existir como pessoa, como VOCÊ!!!

E o restante, é tudo crença para apaziguar os corações que não compreendem isso.

Claro, as religiões, crenças, fazem sempre amenizar o lado do corpo "humano", que faz com que sejamos tentados pelos nossos corpos, nossos desejos, nossos Egos...

Mas no final, cada uma é apenas um fragmento de uma Única Verdade, a qual é como espelho, que foi quebrado e cada um que encontra um pedaço dela, acha que ali se encontra TODA a Verdade.

E assim, vamos afligindo os nossos semelhantes, sem nos dar conta de que fazemos mal a nós mesmos quando não nos damos a liberdade de se doar sem medos...

É estranho, mas acontece... as pessoas tendem a fugir para dentro de si mesmas...
Tendem a culpar os outros pelos erros que elas mesmas cometem.
Tendem a fugir da felicidade como se causasse dor...
E ainda por cima, tendem a negar o que sentem, negar a própria liberdade, não de ter o direito de fazer o que quiser, mas de se permitir sentir o que quiser.

É incrível, porém existe. Pessoas que fazem mal às outras simplesmente por não compreender que todos somos diferentes uns dos outros, apesar das semelhanças que possamos ter... Cada um sente da forma que consegue, enxerga da forma que consegue, vive da forma que consegue...

É extremamente difícil se colocar no lugar do outro, e tentar compreender profundamente o que o outro sente. Mesmo que esse te explique, ainda se torna muito dificil, porque somos tentados a NAO sair da nossa carapaça psicológica, com medo de sermos arrebatados por algum sentimento ou emoção que nos faça depender ou simplesmente esperar pela reação de outrem.

O que é difícil para um, pode ser fácil para outro...

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente
(William Shakespeare)

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
(William Shakespeare)

Assim, cada dia me torno mais EU.
É uma tarefa um pouco difícil, pois sempre existe o medo.
Sempre existem as intempéries das pessoas a quem nos abrimos, que são as poucas que podem realmente nos ferir.

O importante é sempre continuar...

Em alguns momentos, tem que se deixar levar pelo Ego, deixar ele levar o barco, para depois retomar quando o seu Eu verdadeiro tiver recomposto em suas forças e convicções.

É um processo por vezes doloroso, porém, muito proveitoso.
Sugiro sempre viver intensamente cada momento, seja de dor, seja de alegria...
Uma vida "morna" não faz parte das minhas aspirações...
Tento ser extremista, viver ao máximo, ao extremo, seja na dor ou na alegria.
Não me arrependo de nenhum momento, mesmo os que me deixam recluso, pois é deles que me faço mais forte, quando consigo carregar o mundo nas mãos, vencer os medos e me tornar aquilo que eu escolho ser.

Nada mais a dizer, só digo Adeus a quem se vai, e Boas vindas a quem se achega.

Aloha!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quem Vai Dizer Tchau

Quando aconteceu?
Não sei
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu?
Quando a sorte não mais pôde ganhar?
Não
De longe me disse um não
Mas quem vai dizer tchau?
Onde aconteceu?
Não sei
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não
Não foi ontem que eu disse não
E quem vai dizer tchau?
A gente não percebe o amor
que se perde aos poucos sem virar carinho
guardar lá dentro o amor não impede
que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
para que ele possa ser de alguém
Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Ouve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.

Nando Reis



Esse trecho copiei de um blog na internet: http://www.eusoqueriaumcafe.com


Passamos a vida toda ouvindo que namorados vêm e vão, mas os amigos ficam. Parece até que os amigos são o prêmio de consolação que a vida nos dá, por sofrermos tanto. Mas um triste belo dia descobrimos que não, os amigos também vão. E se não quisermos acompanhá-los ao destino para o qual eles caminham é preciso deixá-los ir. Terminar uma amizade é como romper um namoro: é preciso esquecer os bons momentos, as boas risadas, os abraços, as provas de lealdade, abafar o amor ainda latente, e pensar somente no fato concreto de que não dá mais certo. Aqueles 15 minutos de alegria diária que a amizade provoca não compensam as outras 23 horas e 45 minutos de problemas e brigas nas quais ela resulta. Quando uma amizade está cheia de interrogações é preciso colocar um ponto final e arrancar o restante da página, para ninguém mais escrever. Quando um amigo não acredita mais em você é preciso que você acredite em você e o deixe ir. Quando um amigo não confia mais em você é preciso que você confie em você e o deixe ir. E não há nada mais egoísta do que insistir no que não dá certo apenas para não perder. Não seja covarde, busque o novo! Perca e se reencontre. Liberte seu amigo, torça pela felicidade dele e para que ele consiga com outro alguém ter uma amizade saudável como a que vocês não conseguiram ter. Apoie-se nos seus outros amigos, disfarce o choro, e deixe aquele amigo ir, pelo bem de todos. E se um dia te perguntarem sobre aquele amigo, responda "sim, nós fomos felizes juntos, um dia". E enquanto uma parte dos amigos ainda se lembrar vocês estarão juntos de alguma forma, mais distante, mas não menos bonita.

"Tive tempo de refletir sobre a natureza das coisas e de como algumas pessoas podem nos ser tão necessárias um dia e sumirem no dia seguinte... não era para durar?"
(Três formas de amar - 1994)

*Dedicado aos amigos que a vida me fez reencontrar, para nos desencontrarmos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Amigo é aquele que conhece e ama você como você é

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amor...

É muito triste que uma pessoa nunca tenha encontrado alguém que a
amasse.
Se essa pessoa pudesse conhecer pelo menos uma outra que lhe dedicasse amor
incondicional - a pura combinação de aceitação e compaixão - , ou se pudesse
sentir-se objeto de afeição e amor, isso teria grande inmpacto e extremo valor
para ela.
Dentro de todos nós existe uma boa semente pronta para despertar e
amadurecer em decorrência das demonstrações de amor.

Paciência

O aprimoramento da páciência requer a presença de alguém que
deliberadamente nos faça mal. Esse tipo de pessoa nos dá a chance de praticarmos
a tolerância.
Nossa força interior é posta à prova com mais intensidade do que aquela de
que nosso guia espiritual seria capaz.
Em essência, o exercício da paciência nos protege da perda da
confiança

sábado, 15 de novembro de 2008

Lao Tsé; Tao Te Ching - verso 81

As palavras verdadeiras não são agradáveis.
As palavras agradáveis não são verdadeiras.
O homem que fala muito não diz coisa de valor.
O homem de bem fala pouco e só palavras boas.
Inteligência não é sabedoria.
Sabedoria não é inteligência.
O Sábio não acumula posses.
O que possui, o dá para os demais.
Quanto mais dá aos outros, mais possui para si.
O Tao do céu beneficia sem prejudicar jamais.
O Tao do Sábio atua sem interferir jamais.

Tao Te Ching - Huberto Rohden (Ed. Martin Claret)

Comentários de Huberto Rohden:

Neste último capítulo resume Lao-Tse, mais uma vez, a profunda filosofia de um homem cosmo-consciente. A sabedoria e felicidade não vêm das circunstâncias de fora, mas sim da substância de dentro. Civilização e progresso técnico não representam verdadeira cultura.
A finalidade do homem aqui na terra não consiste em alo-realizações, mas sim em auto-realização. A alo-realização de objetos pode servir de meio para a auto-realização do sujeito - mas não pode jamais substituí-la, nem ser um fim em si mesma , como é a auto-realização. É tão difícil para o sábio adquirir riquezas - como é difícil para o rico adquirir sabedoria.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A mente pode trabalhar contra ela mesma

Muitas vezes queremos muito algo: a volta do ser amado, reconhecimento de um trabalho, um novo trabalho, concluir projetos, fazer algo inédito, separar-se de quem nos faz sofrer, ganhar mais dinheiro...

Mas antes de lutarmos um pouco mais por aquilo que acreditamos, já pensamos em desistir. Podemos nem começar o que desejamos ou não sentimos mais a mesma vontade de quando começamos e, sem analisarmos muito os reais motivos, não queremos mais prosseguir naquilo que um dia acreditamos.

Mas será que estamos apenas desistindo por não querermos mais, ou por não nos sentirmos capazes nem merecedores de conseguir? Outras vezes, estamos tão contaminados pelas experiências passadas que não deram certo e, logo no início, já pensamos que dessa vez também não dará e perdemos a esperança. Não conseguimos acreditar que o resultado poderá ser diferente.

Você já percebeu que estamos sempre esperando o pior, por mais que desejemos o contrário? Começamos um novo relacionamento e se o anterior nos causou alguma dor, decepção, traição, já entramos pensando que o atual terá o mesmo trágico fim.

Desejamos um novo trabalho, mas antes de procurá-lo, pensamos em todos os possíveis obstáculos e nos acomodamos no atual, mesmo que a insatisfação continue. Constantemente ignoramos nossos desejos mais profundos, e ficamos apenas relembrando de todas as vezes que tentamos e não deu certo.

Trabalho negativo da mente

Como podemos atingir um objetivo se nós mesmos não nos consideramos capazes ou merecedores de conseguir? Assim, nossa mente trabalha contra ela mesma, mantendo padrões e pensamentos negativos que com certeza irão refletir em tudo que fizermos.

Infinitas vezes nos tornamos nossos piores inimigos, mas só damos atenção aos que estão contra nós, sequer paramos para pensar ou admitimos que muitas vezes, somos nós mesmos que nos boicotamos e não os outros. Quando algo que vem de fora tenta nos prejudicar ou atingir, temos muitos recursos para nos proteger, podemos ignorar, fechar nossos ouvidos e nossos olhos, e seguir adiante, mas quando nós mesmos estamos contra nós, com certeza é hora de parar e pensar nos motivos pelo qual estamos agindo assim.

Por que está tão difícil começar ou continuar a lutar por aquilo que te fará bem e mais feliz? Por que quando entramos num caminho, durante o trajeto, não queremos mais prosseguir naquilo que um dia acreditamos? Pode ser que seja muito mais simples e confortável se manter num relacionamento destrutivo, do que fazer algo para que ele se torne saudável.

Ou ainda, pode ser muito mais fácil continuar sozinho, do que dar uma chance para si mesmo ao começar outro relacionamento. Tudo em nome do comodismo, do conforto inicial, do medo do novo, mas já pensou em longo prazo, como ficará?

Desistir é renunciar. Como renunciar a algo que possa te fazer feliz? Se estiver perdendo o interesse em fazer algo por você, talvez seja o momento de procurar o que está errado. Está sentindo uma tristeza profunda e constante, sem causa aparente? Desconfie. Ninguém fica triste sem motivo. Toda tristeza tem uma causa, que pode estar sendo provocada por alguma situação insatisfatória que esteja vivendo.

Da mesma maneira, se estiver constantemente irritado, cansado, sem energia para nada, algum motivo deve haver. E quanto mais você adiar para se confrontar com a causa de sua dor, mais estará adiando sua capacidade em superar e ficar bem.

Enquanto ficar estagnado, parado, mantendo os mesmos padrões de pensamentos e comportamentos, nada acontecerá e não sairá do lugar, mantendo apenas o papel de vítima, acreditando que tudo de ruim acontece com você, que não é capaz de conseguir nada e que nenhum esforço seu irá adiantar. Tudo isso é mentira! E que por algum motivo um dia você acreditou.

Será que em sua infância não acontecia exatamente a mesma coisa? Toda vez que iniciava algo, diziam que não conseguiria ou duvidavam, e você desistia? Quando contava o quanto estava feliz por algo que estava fazendo ou havia conseguido, alguém conseguia estourar sua bolha de felicidade, desprezando aquilo que acreditava? Será que quando contava algo que queria muito fazer, não vinha alguém e o fazia acreditar que não daria certo? Se isso acontecia, é bem provável que não tenha desenvolvido a confiança naquilo que é capaz de fazer e conseguir, passou a confiar nos outros, na opinião deles, mas nunca em você!

Quando sentir que está perdendo a vontade de ir adiante, seja no que for, e pensar em desistir, pare um pouco e pense o que pode estar consumindo sua energia, sua capacidade em acreditar que seja capaz. Pense nas prováveis causas que faz com que não acredite em si mesmo.

Sim, talvez o caminho não seja tão fácil quanto permanecer naquele que já conhece, mas se não está feliz, satisfeito, seja com sua companheira, seja em seu trabalho, ou alguma situação, por que não escolher um outro caminho que te possibilite fazer diferente?

Ao querer desistir de algo que esteja começando, lembre-se do seu objetivo inicial, pois muitas vezes no meio do caminho esquecemos o motivo que nos fez optar por esse mesmo caminho. Solte o passado triste e toda a dor que ele te traz, permita-se não repetir os mesmos padrões anteriores. Isso apenas consome sua energia e não permite que modifique seu momento presente ou crie um futuro de conquistas.

Com certeza, se persistir, contornando os obstáculos à medida em que forem surgindo, se libertará do que te faz sofrer, irá perceber que você será capaz de conseguir tudo aquilo em que você acredita!

Comece com pequenas coisas do dia-a-dia, ouça mais sua própria voz, ouça mais seu coração, ignore as cobranças externas, e acredite que se você quer, você consegue, seja o que for.

Vamos, respire fundo, levante a cabeça, olhe para trás apenas para aprender o que não deve ser feito mais, aprenda com cada erro cometido, acredite que é possível fazer diferente e assim, o resultado também será diferente. Só não pare, não se acomode, não se contente com algumas situações, apenas por serem conhecidas e trazerem algumas vantagens secundárias. Saia de sua zona de conforto.

Acredite que você merece o melhor, que o novo pode lhe trazer novas experiências, e que recomeçar não é vergonha, mas sim coragem. Coragem em escolher o caminho que lhe fará feliz, que não lhe trará doenças, mas equilíbrio e confiança para seguir adiante, ainda que possa sentir medo, vá em frente, não permita que o medo o paralise, ou que alguém o impeça de seguir o caminho que seu coração, e somente o seu, escolher!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Inferno e o Céu

Texto e figuras copiados diretamente do blog:
http://kabiakashodo.blogspot.com/2008/08/o-inferno-e-o-cu.html



Um valente samurai certo dia procurou um pequeno monge zen-budista e perguntou:

- Oh, monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno!
- Ensinar-te sobre o Céu e o Inferno? Como ensinar-te alguma coisa? De nada aproveitaria. Tu estás imundo. Exalas um fedor insuportável. A lâmina da tua espada está gasta e enferrujada. Você, como samurai, é uma decepção total. Uma vergonha. Sua presença é detestável. Suma imediatamente da minha vista!...

O samurai ficou vermelho de raiva, a ponto de nem replicar ao monge por palavras. Ele, que sempre se considerou um grande guerreiro, não poderia admitir tanta ousadia. Então, resolveu erguer a espada vigorosamente e preparou-se para decepar a cabeça do monge.

- Isso é o Inferno. Disse o monge com absoluta mansidão.

O samurai, parou, pensou duas vezes na sua decisão e na intervenção do monge. Foi baixando lentamente a espada com o coração apaziguado pela explicação serena do monge que lhe ofereceu a própria vida para esclarecê-lo sobre a natureza do Inferno.

- Isso é o Céu. Rematou serenamente o monge.

Conclusão: a raiva faz da nossa vida um Inferno e a serenidade faz-nos viver no Céu. Quando nos sentimos provocados a ponto de sentir raiva, o melhor é inspirar e expirar lenta e profundamente, enquanto contamos até dez; quando a provocação nos levar a sentir muita raiva, o melhor é continuar contando até cem. De qualquer modo, se algumas vezes fracassarmos, é bom pensar que o erro é um passo para o aprimoramento, desde que o reconheçamos e insistirmos em prosseguir no treinamento para acertar. A cada êxito repetido, o hábito positivo se estabelece gradativamente até que se torne definitivo...

domingo, 26 de outubro de 2008

Monólogo a Três

Texto copiado do site:
http://marconileal.opensadorselvagem.org/monologo-a-tres/

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EGO: Olha ali, é ela, na parada do ônibus!
ID: Rapaaaz! Cês tão vendo? Fi-fiu! Que tesão! Eu arrancaria as calças dela usando apenas os caninos. Depois arranharia as costas todas com a unha encravada do dedão do pé esquerdo. Apertaria cada um daqueles peitões com os sovacos antes que ela pudesse dizer “papanicolau” e…
SUPERGO: Caluda, selvagem! Se você der um passo eu te arrebento a cara e te amarro num poste, nu e lambuzado de graxa.
ID: Uhhhmm, olha como o rapaz tá “nervosa”! Quer me amarrar no poste, é, lindão? Lambuzado de graxa? Não seria melhor usarmos mel? Ui! Vem, vem meu tesudo, me bate, me chama de Idinho, me sodomiza…
SUPEREGO: Eu vou matar esse cara!
ID: Ai, que voz grossa! Fiquei todo arrepiado!
SUPEREGO: Vem cá, canalha, que eu te esgano!
EGO: Fiquem quietos, vocês dois! Será possível? A moça é aquela ali. Pela descrição, é aquela ali. E agora? Que é que eu faço?
ID: Como “o que é que faz”? Vai lá e, pra não assustar muito, começa massageando o clitóris dela com o cotovelo, por cima da calça.
SUPEREGO: Cala a boca, indecente! Parece que não tem mãe!
ID: Tenho, sim, e das gostosas! Só não comi até hoje por conta dos teus recalques…
SUPEREGO: Agora eu te castro, demônio!
ID: Ih, lá vem ele de novo com essa fixação!
EGO: Pára! Pára! Pô, eu numa aflição dos diabos aqui e vocês dois discutindo! Que cacete!
ID: Cacete? Onde? Onde?
SUPEREGO: A culpa é desse anormal! Sacripanta!
EGO: Chega! Será que dá pra ter um pouco de consideração? É o primeiro encontro. Eu tô nervoso.
ID: Tá nervoso porque não fez o que eu mandei.
EGO: E o que foi que você mandou?
ID: Disse pra tu fazer o cinco a um.
EGO: Ahn?
ID: Sacolejar o careca.
EGO: Quê?
ID: Podar a mandioca.
EGO: Como?
ID: Enforcar o pelado.
EGO: Do que é que cê tá falando, afinal?
SUPEREGO: Masturbar-se. O caso patológico aí queria que você se masturbasse pra passar a tensão. Não escute o que ele diz. Trouxe as rosas, não trouxe?
EGO: Trouxe.
SUPEREGO: E a caixa de bombons?
EGO: Sim.
SUPEREGO: Pois muito bem. Agora você vai até ela, deseja boa-tarde, apresenta-se e pede permissão pra se sentar ao seu lado.
ID: É, aí depois vocês dispensam a dama de companhia, dão um passeio de coche e vão até uma loja de chapéus. Tenha santa paciência! Isso daqui é o século XXI, mermão! Tu acha o quê? Que a tesuda aí acabou de sair de dentro de um livro de José de Alencar? Seguinte, vai lá e diz: “E aí, benzinho? Cheguei. Tá a fim de dar uma?”
EGO: Sem nem me apresentar?!
ID: Tudo bem. Tem que se apresentar, claro. Então tu chega e diz: “Oi, chamego. Tudo bom? Pega na minha e balança”.
SUPEREGO: Cala a boca, sujeito! Você não sabe de nada!
ID: Olha que eu sei de coisas que tu nem imagina!…
SUPEREGO: Sabe nada!
ID: Sei, sim, Jandira.
SUPEREGO: Sabe na… Jandira? Por que é que você tá me chamando de Jandira, seu pulha?
ID: Ah, não lembra, né? Sabe aquele teu priminho de Taubaté, que vinha passar férias contigo? Como ele te chamava, nas brincadeirinhas de vocês dois no banheiro? Hein, hein?
SUPEREGO: Mentira! Isso nunca aconteceu! Calhorda!
ID: Aconteceu, Jandira. E olha que não vou falar nada daquela ereção que tu teve quando sentou no colo do titio Afonso…
EGO: Parem com isso, pelo amor de Deus!
SUPEREGO: É esse imoral, aí! Será que você não pode agir feito uma pessoa racional pelo menos uma vez na vida?
ID: Claro que não. Tu nunca leu Freud, ô engomadinho?
SUPEREGO: Não usa o nome de Freud em vão, hein? Seu reichiano de meia-tigela!
ID: Ai, que “meda”!
SUPEREGO: Eu vou te matar!
EGO: Parem com isso! Vão assustar a moça!
ID: Mata, mas me mata gostoso! Ui! Me pega de jeito, neném!
SUPEREGO: Vem cá, safado!
EGO: Olha aí! Olha lá, seus idiotas! A moça foi embora, tão vendo?! Foi embora!
SUPEREGO: Quem mandou dar ouvidos a esse crápula? Um sujeito que faria sexo com ele mesmo se conseguisse!
ID: Vai dizer que tu nunca tentou?
SUPEREGO: Salafrário! Ignorantão!
EGO: Depois de tanto preparo, lá se foi o meu encontro! E é tudo culpa de vocês! Tudo culpa de vocês dois! E agora, me digam? E agora? Como é que eu fico? Posso saber?
ID: Quem sabe a gente não pega aquele negão ali, que também tá esperando o ônibus?
SUPEREGO: Será possível que você só pensa em sexo, seu cavalo?
ID: Claro que não. Também penso em torturar e maltratar as pessoas.
EGO: Inacreditável! Tudo bem, certo, fiquei sem o encontro. Mas já sei o que vou fazer com vocês. Ah, sei! Vocês me pagam. Vou agora mesmo na minha analista. Agorinha. Vocês vão ver! Venham! Vamos! Andem pro divã!
ID: Ana-nalista?
SUPEREGO: Aquela… junguiana?
ID E SUPEREGO: Não! Isso, não! Por favor! Não!

Encarando(me) de frente - Um Sinto muito a todos

Nos últimos dias reconheço que literalmente "surtei"...

Aos que notaram antes de mim, eu sinto muito, pois fui cego e teimoso. Não fui boa companhia por vários momentos. Agora é encarar e mudar as minhas reações, tornando-as conscientes e não me deixando viver o passado, mas sim somente o presente. Sem nóias, sem delusões quanto a qualquer coisa. Sem ficar deixando minha imaginação criar frutos ilusórios, sem deixar minha imaginação me fazeracreditar que o que acontece é X quando na realidade não passa do que "é".

Parei para revisar os posts do Blog, e notadamente tem coisas muito insanas. Principalmente no último mês.

Algumas por pura poesia, outras por pura dor de cotovelo. Em momentos que me senti sozinho ou isolado. A minha incapacidade de ter enxergado esse problema até esse momento, me cegou quando mais precisei estar consciente de tudo.

Mas apesar dos pesares, finalmente consegui enxergar parte de tudo isso. Não sei calcular o prejuizo que posso ter causado com as minhas amizades. Espero que não perca nenhuma delas.
Pois meus amigos e amigas, são um tesouro que tenho em vida, estou apredendo a deixá-los livres para irem e virem quando quiserem. Mas quando estive presente com todas as pessoas, todos meus amigos, na maior parte do tempo, eu estava lá por completo, sem presença marcante dessa outra parte. Mas de uns dias para cá, comecei a notar reações minhas que eu mesmo não estava controlando ou tendo com um nível de consciência de onde estavam vindo.

Ainda não cheguei ao ponto que pretendo, que é ter acesso direto às memórias que me fazem esse mal todo. Aceitá-las e aprender a conviver com esse passado. Já achei boa parte delas, já encontrei possíveis razões, mas não vou me deixar parar até chegar à raiz de tudo isso, não irei parar até encontrar a primeira causa, e conseguir apaziguá-la no meu coração.

Um momento, um simples momento, uma voz que não se fez presente num momento em que se criou uma expectativa, causou essa reação toda... Não causou realmente, apenas trouxe à tona isso tudo... Quem fez isso tudo, quem ocasionou tudo, FUI EU e somente eu, em um momento em que eu deveria viver plenamente, eu (sei lá por quais razões) deixei alguma porta ou janela aberta, e sentimentos do passado que eu acreditava terem sido resolvidos, se atravessaram com a realidade e se misturaram com o que eu estava vivendo, e de repente eu já nao vivia o presente, mas sim o passado dentro do presente, e já sabemos onde vai dar isso...

Como o cativo que se liberta, um "eu" se soltou das amarras, e se fez presente, trazendo dor onde não havia nada doloroso para sentir... e desse momento em diante, meu sorriso não se manteve puro. Dia a dia foi se extinguindo, sem que eu notasse, e transferindo a responsabilidade para longe, ao invés de olhar para dentro, acabei olhando para o entorno. Tentando achar culpados, transferir a culpa, transferir a MINHA responsabilidade sobre meus sentimentos e meus atos.

Confesso que houveram pessoas que sofreram perdas com essas minhas reações "adversas". Meus momentos desconexos, meus momentos de distanciamento da realidade.

Meu Ego, assumo, se apegou a uma(várias) idéia(s) e criou devaneios. Ilusão, delusão, devaneio, seja lá o nome correto, esse Ego, me fez acreditar em coisas insanas, que realmente não existiram.

Eu estava sempre lá, mas não era totalmente eu, mas uma parte que estava dominando o todo, eu estava lá, mas com uma parte de mim, querendo algo que eu não sabia.

Descobri (devido à crise depressiva de sexta para cá) , notei que havia perdido parte (ou totalidade) da minha capacidade de reagir bem a estímulos que me recordem ou tragam a idéia ilusória ou real de rejeição.

Já sei o ponto a trabalhar, como foco principal "os apegos do Ego", e as minhas reações aos condicionamentos anteriores, descobri que quando me vejo em uma situação que me leva a crer (mesmo que erroneamente) que fui rejeitado de qualquer forma, é disparada uma série de reações sutis que eu não tinha percebido até então. Mas que somadas, se tornaram uma bola de neve, me levando a praticamente um surto. Ainda tive, durante esse processo auto-depreciativo, condições de me inter-relacionar com outras pessoas, apesar de não estar mais 100% eu mesmo, e a cada dia definhando mais minhas condições internas. Meu Ego me forçou a exaurir minhas forças, pelo menos os motivos e atitudes nao foram todos em vão, ajudaram a algumas pessoas (talvez um pouco menos a mim). Sei que a partir de agora, devo me conscientizar melhor, tomar mais as rédeas, ficar mais centrado.

Já descobri, pontos outros, para ir trabalhando: os "apegos desse Ego" - desejo de nao estar só; de se sentir útil, necessário ; de ser importante para alguém(não importa quem seja); sentimento de culpa (ilusória ou não); sentimento de inadequação às pessoas e realidades; sensação de perda; mania de perseguição; apego emocional; apego a sensação de ser um benfeitor; sentimento de proteção; entre outras formas.

É extremamente difícil para mim nesse momento relatar isso tudo. Ainda mais revisando meu último mês e vendo que quem mais esteve próximo a mim, acabou levando parte dessa carga que estava presente em mim. Sinto muito a todos a quem ofendi, causei incômodo ou sensações ruins, devido a essas coisas que estavam por sob meus olhos e eu não conseguia ver. Sei que é normal para alguns esses momentos que passei, sei que quem realmente me considera, poderá ao menos tentar compreender. Mas mesmo assim sei que devo ter sido bem chato em vários momentos, sinto muito por isso, de coração, a todos. E prometo que vou passar a cuidar mais disso, a partir dessa semana, é terapia/análise para mim.

Agradeço todos os dias por ter amigos e amigas que não desistem de mim. Apesar disso tudo.
Agradeço todos os dias por ter amigos que me mostram a verdade, mesmo quando eu ainda não tenho condição de enxergar por completo.
Agradeço por ter amigos que têm essa paciência de me mostrar as coisas aos poucos, e aos que mostram tudo de uma só vez.
Agradeço pela vida que tenho, e por todos que são parte da minha.
Agradeço pelo mundo, sempre provar que ainda existe esperança e que nada é permanente.
Agradeço por tudo mudar, por tudo estar mudando continuamente.

Agradeço a todos que têm esse link para esse blog e podem nesse momento ler essas palavras.

Obrigado a tudo e a todos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Lótus e a Concha


Antes de começarmos, visualize bem as duas imagens...





Essa é a razão de várias coisas que tenho vivido nos últimos 15 anos.
A procura de uma resposta para questões que nem conseguia nominar.


  1. Sobre a Lótus.
    • A flor de Lótus é venerada na Índia e no Japão, e Oráculo disse que essa era a flor símbolo da espiritualidade; a mais admirada de todas, do "lado de lá", por suas qualidades. A semente de Lótus pode, por exemplo, ficar mais 5.000 anos sem água, somente esperando a condição ideal de umidade pra germinar. Ela nasce na lama e só se abre quando atinge a superfície, onde só então mostra suas luminosas e imaculadas pétalas, que são autolimpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microrganismos e poeiras. É também a única planta que regula seu calor interno, mantendo-o por volta de 35º, a mesma temperatura do corpo humano. O botão da flor tem a forma de um coração, e suas pétalas não caem quando a flor morre, apenas secam. Assim, para os Chineses, o passado, o presente e o futuro estão simbolizados, respectivamente, pela flor seca, pela flor aberta e pela semente que irá germinar.
      Nas gravuras indianas, deuses costumam aparecer em pé ou sentado sobre a flor. Isto ocorre com as representações do deus elefante (Ganesha), Lakshmi — a deusa da prosperidade — e Shiva, O destruidor. Krishna têm a seus pés algumas flores de Lótus, que são chamados pada-kamala (pés-de-Lótus). A tradição budista nos relata que quando Siddhartha (que mais tarde se tornaria o Buda) tocou o solo e fez seus primeiros sete passos, sete flores de lótus cresceram. Representa, assim, que cada passo do Bodhisattva é um ato de expansão espiritual. Tanto que o conhecimento espiritual supremo é comparado ao florescimento do Lótus de mil pétalas no topo da cabeça, como é chamada a expansão do chakra coronário, e seria o equivalente à auréola dos santos da Igreja Católica.



  2. Sobre a Concha
    • A concha representa o Amor, ou Dom Supremo.

      Entenda-se, a concha é feita por duas partes, diferentes, unidas por um único ponto, que é maleável, pois permite o movimento entre as duas, porém, é recoberto por uma fina camada de material vivo, que torna quase impossível separar as duas partes, enquanto o ser vivo que ali existe, permanece entre as duas partes. Algumas conchas, podem produzir pérolas, sendo que as pérolas são obtidas pela inserção (acidental ou não) de um grão de areia entre as duas partes da concha, quer dizer, no ser que ali reside. Esse ser, por sua vez, por estar com esse corpo estranho aplicado a si, tenta se defender do corpo estranho, aplicando nele, sua própria essência, o recobrindo por camadas e mais camadas de matéria, criando assim uma pérola, com o passar do tempo.
      A representação simbólica se dá por comparação à vida.
      As duas partes da concha inteira, que se complementam, sendo inteiramente opostas uma à outra, tendo apenas um único ponto que as une, seria o Homem e a Mulher, unidos por um ponto, FORTE, único, poderoso e praticamente indestrutível, o Amor entre os dois.

      A parte interna, a vida que existe na concha, seriam os filhos e protegidos pelas "asas"da concha. Os amados do casal, da Família ali alicerçada. O próprio Amor existente entre o casal.
      A união entre as asas da concha, só se despedaça quando a vida que ali reside, se esvai por completo. E em alguns casos, mesmo depois da vida se extinguir, ainda persiste, dando abrigo a outros seres vivos que usufruem das asas ainda protetoras da concha.

      Além disso, a Concha é exemplo de constante renascimento, pois a cada dia, o tamanho da mesma aumenta, para proteger o seu residente. Não há nenhuma permanência em seu tamanho, pois a cada dia é liberado carbonato de cálcio, que se solidifica e anexa mais uma leve camada (ou anel) em torno da concha, aumentando seu tamanho.

      A pérola, que se forma quando algo fere o ser residente da concha, é criado a partir da defesa do ser que ali vive. Ele envolve o objeto estranho, que o fere, com substancias que o alisam, para tornar menos agressivo, depois de algum tempo, o tornando redondo, uma pérola.

      As pérolas, hoje tão valiosas materialmente, são obtidas pela dor que um ser vivo sentiu por longo período. E ao invés de lutar contra, pelo contrário, usa uma defesa passiva, acolhendo seu agressor a si mesmo, o recobrindo por seu próprio corpo, o protegendo e se protegendo dele. Assim, ao invés de devolver a agressão, torna-se um ser exemplar, pois devolve o contrário daquilo que recebe como ofensa.

      Eis o produto da Concha, um ser vivo, que prefere não atacar, e ser ferido, ao que devolver a agressão ao seu agressor. (Uma não agressão passiva)

      As asas da Concha, o Homem e a Mulher, que embora diferentes, parecidos, simétricos, sendo um o espelho do outro, são diferentes, pois ambos só podem relacionar-se com um e somente um par, sendo este o seu simétrico ou metade idêntica. A escolha não é feita por um dos dois, nem pelos dois juntos. Simplesmente acontece

      Acontece que o Amor não ocorre por escolha de uma das duas partes, mas sim, nasce entre as duas, e cria o vínculo indestrutível, enquanto Ele mesmo existe entre as duas partes.
      A concha nos mostra isso, as asas só nascem para dar abrigo ao ser que existirá entre as duas, E os três, O Ser, A Concha Mulher, e a Concha Homem, se unem simultaneamente.

      Mas se a Mulher e o Homem são duas partes da Concha, o que seria o Ser que ali existe?
      O ser existente entre os dois é a própria essência do Amor, que aparece, e une os dois aparentemente distintos, antes não existentes um para o outro, que agora se formam unidos, por uma força poderosa, que os une numa convergência de suas diferenças, para uma união de suas qualidades.

      Compreenda, o Amor verdadeiro, suporta as maiores penitências para sobreviver.
      Mesmo que as duas partes não sejam concordantes, se uma quer abrir para cima, ou outra para baixo, o Amor que existe entre as duas, as mantém unidas. E, caso ocorra alguma agressão a esse Ser (Amor) esse mesmo Amor, tomará para si a agressão, a recobrindo de si mesmo, de sua própria essência, tornando a agressão em algo posteriormente bom e belo, mesmo que no momento e durante algum tempo tenha sido doloroso. O Amor tudo suporta.
  3. A Concha e a Lótus, a Lótus e a Concha
    • Assim como a Lótus, que nasce da lama, cuja semente sobrevive à condições inférteis até achar momento propício para nascer, a Concha tem sua Conexão com a realidade.

      Veja novamente as duas fotos acima.
      Repare que a Lótus, parece ser formada por várias Conchas sobrepostas.
      Note que no Centro da Lótus, existe a parte onde fica o "Gineceu e o Androceu", que são as partes da planta responsáveis por sua reprodução. Ali seria o Conhecimento, a Compaixão e Amor plenos.
      A Lótus é o Amor mais sublime. Fonte de todo o conhecimento e de toda Compaixão.

      Não quero com isso, comparar meus pobres conhecimentos rudes, com a sabedoria milenar. São apenas interpretações de um leigo. As minhas...

      O que aprendi com as Conchas?
      Primeiro : Andando nas praias, é fácil ver conchas separadas, despedaçadas.
      Assim é na vida, na praia da nossa vida, existem várias conchas, algumas simplesmente separadas, outras, totalmente despedaçadas, a ponto de não se reconhecer de onde veio cada pedaço.

      Ao caminhar na praia, vejo que muitos amores, foram desfeitos, não talvez por falta de amor, mas por falta de união verdadeira entre as duas partes.

      Hoje, muitas pessoas procuram a sua outra parte, ao invés de procurar o ser que existirá protegido em si. O que quero insinuar é que, hoje em dia, nós (todos nós em boa parte das nossas vidas) procuramos o Amor , mas não nos preocupamos em manter esse amor vivo entre as duas partes.

      Como pode uma concha, manter a vida entre suas duas partes, se a única coisa, o único ponto que une as duas, não existe?

      Agora imagine, Você, quantas vezes teve a coragem de NÃO procurar o Amor na outra pessoa e o procurou DENTRO de você primeiro?

      Quando foi a última vez que você conseguiu amar de verdade, sem cobrar, sem criar expectativas impossíveis para a outra pessoa atingir ou realizar?

      Quando foi a última vez que você conseguiu entregar amor sem querer algo em troca?

      Quando foi a última vez que você procurou Amar primeiro, para depois ver onde iria acabar? Sem procurar retribuição ainda por cima?

      Eis a sabedoria da Concha, Ela Une as duas partes que antes não existiam uma para a outra, as Cria no momento exato que é criado o Ser, o Amor que as unirá.

      Não existe o Homem, antes do Amor aparecer, só existe o Animal masculino.
      Não existe a Mulher, antes do Amor aparecer, só existe o Animal feminino.

      O animal masculino, procura saciar sua sede de preenchimento. Na sua vã tentativa de se preencher, procura se preencher pela sexualidade, usando o sexo, a conquista, para tentar se sentir preenchido de uma falsa sensação de completude. E assim perpetua sua busca, de corpo em corpo, tentando encontrar algo que ainda não sabe o que é.

      O animal feminino, procura saciar sua sede de preenchimento, na constante procura pelo romantismo do Amor, mas sem o ter ou sentir dentro de si na boa parte das vezes. Por vezes procura primeiro a Rosa sem querer passar pelos espinhos. Mas como para se chegar à rosa, encontra-se o primeiro espinho, dói, então a pessoa foge e procura uma nova rosa, e consequentemente, um novo espinho. Assim perpetuando sua procura, buscando algo que ainda não conhece.

      Quando os dois se encontram, um espera algo do outro, que não pode obter, pois cada um se preocupa consigo próprio, ao invés de se preocupar com o que é mais importante.

      O que seria mais importante?
      O mais importante é Não procurar a própria satisfação. Procurar primeiro manter o que os aproxima, caso seja real, caso seja mútuo e verdadeiro.

      1 - Como saber o momento?
      2 - Como saber quando é real?
      3 - Como saber quando é mútuo?

      Como saber o momento?
      O momento, só é necessário viver que este se aproxima por si só. Se preocupar com o futuro é perder o presente.

      O que é real?
      O que é real, são os fatos, evitando viver na mente, internamente, vivendo o presente tal como é, e não como é imaginado, destituindo o ser de todos os Mayas*.
      * ¹ Maya (do sânscrito): Ilusão.
      ² Maya significa alguma coisa como ilusão ou fantasia, ou, filosoficamente falando, o “como se fosse”.
      ³ Maya é uma espécie de sonho, uma espécie de transe mental.
      A realidade se vê quando paramos de idealizar as pessoas, quando deixamos a nossa mente sem a distorção apegada da "paixão cega". Que nos deixa cegos para o ser humano real que está diante de nós, tornando-o apenas uma manifestação daquilo que desejamos que ele seja ou fosse, e não a pessoa real, e quando isso ocorre, não muito tardiamente, nos decepcionamos com a pessoa que consideramos amar, vendo então que já que decepcionamos, já não conseguimos a aceitar tal como é, demonstrando a real falta da presença do Amor real dentro de nós.

      A nossa vontade de ter manifestado em nossas vidas o Amor, nos faz nomear de amor, qualquer sentimento derivado de simbolismos pessoais, os quais associamos a características físicas ou intelectuais, e que quando particular pessoa contabiliza maior numero de características, nós a consideramos digna de nosso sentimento, nomeando isso de amor.

      Porém, quando escolhemos de forma lógica a pessoa a quem amar, provavelmente (não geralmente ou certamente) , essa pessoa nos decepcionará cedo ou tarde, não somente uma vez, causando a morte simbólica desse falso amor.

      O amor por escolha existe, mas já deve existir por si só para que persista.
      Não escolhemos a quem amar, simplesmente amamos. Quando não conseguimos citar motivos, razões para amar pessoa X, estamos próximos do amor real e verdadeiro.
      O amor não se explica, então, se conseguimos dar nome aos bois no tocante a motivos de amar certa pessoa, provavelmente não a amamos, mas sim, sentimos muito apreço por ela.


      Como saber quando é mútuo?
      Essa questão é mais complexa de se responder, pois não depende somente de uma das pessoas, porém, existe como saber.
      A convivência, somente esta, pode revelar a luz da verdade sobre essa pergunta.
      Um amor pode nascer em um momento, crescer em pequenos minutos, e permanecer firme durante anos. Mas necessita de convivência para se revelar.
      Caso não haja a convivência, não se pode revelar as intenções, se são carnais somente ou não carnais. Sendo amor verdadeiro, haverá paciência. O tempo será amigo e não inimigo dos dois.
      Quando a urgência se torna imperativa, há algo de errado, pois o amor não tem urgência.
      Ele se regozija na mansidão e na calma.

      O amor é o rio perene que corre em direção ao mar. Com suas águas límpidas, ora turvas, ora corredeiras, mas sempre em direção ao mar, com paciência, pois sabe onde irá.
      Enquanto corre, distribui a vida a todas as outras criaturas que dele puderem se beneficiar.
      O amor pratica o bem, antes de procurar o próprio bem.

      O fogo da paixão, precisa de alimento urgente, pois devora cada molécula de combustível para existir, e quando já não tem de onde tirar esse alimento, se mostra como é, onde havia a bela chama, a ardente e calorosa paixão, só se encontra um mar de cinzas, sujas e frias, e um deserto onde não brotará vida por bom tempo.
      A paixão procura primeiro se saciar, para depois ver os resultados.



      O Amor transforma o animal masculino e o animal feminino em seres diferentes.
      Quando nasce o amor entre dois seres humanos, os dois mudam para sempre.
      Nunca mais é o mesmo quem prova deste cálice.
      O Amor nascendo entre dois seres humanos, os aproxima, de forma inexplicável, certeira e tranquila. É como um elo de uma corrente que se forma juntamente com os outros, simultaneamente. Não se pode haver a real união entre dois seres humanos, sem o Amor como liga.

      Se essa ligação não for o Amor, essa liga quebrará, deixando os pedaços das conchas na praia.

      Quando o Amor brotar, tudo começará a fazer sentido.

      Cada parte da concha deve estar de tamanho parecido para se formar , caso contrário, haverá uma quebra na união entre as partes, alguma será mais fraca, mais frágil, menor. E assim uma terá mesmo que sem intenção, que sobrepuxar a outra. Tornando assim a relação entre as duas algo parasitivo.
      Uma terá a carga de proteger o amor existente entre as duas, enquanto a outra apenas se nutrirá com isso, e em alguns casos, poderá até ser enperolada pelo amor, pois só assim um ser que causa a dor poderia ser suportado pela Concha. Isso explica as relações em que predomina a desigualdade entre as partes. Que causa logo que uma é exaurida, o rompimento da relação.

      Quando o Amor brota, e as duas partes são de tamanho similar, quer dizer, experiências que as tornaram maduras suficientes para serem equivalentes e equilibradas entre si, aí começa a existir a liga duradoura. Não significa que nasça entre intelectuais. Simplesmente nasce quando as duas pessoas envolvidas, têm uma compreensão da vida, do outro, e de si mesmas, de certa formas parecidas, suficientemente para que possam ser compreensivas com as diferenças, podendo conviver em paz, harmonia e acolhimento mútuo.

      Assim nasce a Concha que mantém dentro de si, o Dom Supremo, o Amor Pleno.


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      Em meados de 1994, comecei a coletar conchas nas praias de Ponta da Fruta, em Vila Velha - ES.

      Durante meses, ia semanalmente à praia, pensar e refletir, era meu local mais sagrado, pois lá estavam as essências de toda a linhagem masculina da minha família. Em certa época, todos os homens da família se reuniram em um determinado ponto, e deste dia em diante, essa foi a última vez em que houve essa reunião. Três gerações, três ramos distintos da árvore familiar.

      Esta praia também teve sua simbologia, pois ali que encontrei a parte do "ermo" que precisava para poder ouvir as mensagens que a própria natureza me dizia.
      Tudo está conectado, cada grão de areia, cada onda, tudo tem uma razão, tudo tem uma frequência. Tudo entra em ressonância, e quando você consegue entrar nessa vibração, com o restante da criação, você percebe a sua importância na imensidão da existência.
      Ali descobri como ouvir as areias que percorrem a praia com o vento, as mensagens que elas tentam nos passar.
      Ali descobri as promessas de amor das conchas, o seu significado em relação à vida humana, sua mensagem de Amor e Plenitude.

      Uma das mensagens, é a sensação da Plenitude, que se torna vívida ao se encontrar uma concha específica, a concha rosada, a mais difícil de se encontrar ainda ligada a sua metade irmã. Devido a sua fragilidade em relação às outras conchas, ela é rara de se encontrar inteira, mesmo separada.

      Até hoje, encontrei apenas duas.
      A primeira, era mais forte, grande, mais dura, estava aberta como uma borboleta, porém a cor estava muito desbotada. Significa o não vivido. Ou o que não seria vivido.
      O desbotado, significava a falta de vida em si, a vida é em suma, colorida, plena de nuances, com ou sem razão de ser a cada momento e cheia de alegria. A ausência da cor viva na concha, significava o amor não vivente.
      Note-se que amor para ser vivido, precisa da entrega, quando não pode ser entregue, não pode então, ser vivido.

      A segunda, encontrei depois de quase 14 anos após.
      Essa, é mínima, minúscula a ponto de se perder de vista com facilidade, delicada que um toque com maior pressão pode quebrá-la. E, embora toda delicada, é a mais plena de vida que encontrei. Com uma cor inigualável, principalmente pelo elo ainda existente entre as duas partes, que apesar do tamanho minimo, e da força da rebentação, nao foi rompido.

      Simbolismo atual:
      Fui presenteado com aquilo que mais procurei nesses ultimos 14 anos.
      Me sinto preenchido, me sinto pleno. Me sinto acompanhado, de mim mesmo.
      Quando eu esqueci de mim mesmo, quando procurei fazer o que podia, com os recursos que podia, sem pensar em nada mais a não ser em alegrar como eu pudesse o dia da pessoa a quem queria presentear... as conchas voltaram a aparecer, e no lugar mais inusitado, na única praia que NUNCA antes havia mostrado nenhuma dessas conchas.

      E assim, o ciclo da lenda pessoal termina.
      Descobri que existe esperança possível nesse mundo.
      Descobri que os últimos Mayas que eu tinha, estão sendo apagados.
      Finalmente, encontrei as respostas, e descobri quem sou.
      E minha razão de existir. Descobri que a fonte de tudo, é a Plenitude do ser, completada em suma, pela doação aos outros, de si mesmo, na forma do Amor/Compaixão.

      Quando cheguei em casa, me dei conta de tudo o que havia acontecido. E tornei a agradecer a presença desta pessoa em minha existência. Com os olhos em lágrimas fui caminhando e percebendo a cada passo, o milagre que tinha ocorrido nessa tarde.

      Pois foram 14 anos de busca incessante por essas respostas. E logo que parei de me perguntar e procurei apenas buscar fazer o bem que tanto ansiei para mim, para outra pessoa, as respostas apareceram.

      Não quero que isto seja tentativa de prova de nada.
      Desejo o bem desta pessoa, acima de tudo. Sua presença já me enche de alegria.
      E que sempre que eu puder, eu possa fazer para esta pessoa, o mesmo bem que ela me faz, mesmo sem se dar conta.
      E quero dizer com isso, que o que sinto, não busca a retribuição.
      Quero sempre poder estar perto, da forma mais agradável para esta pessoa.
      Lutar pela felicidade dela, com ela, para ela. Pois esta felicidade centrada também na do outro, perfaz em mim o caminho que me torna mais feliz, que é vendo a essa pessoa que tenho apreço, feliz. Distribuindo assim a todos que por mim passarem, felicidade e compaixão.

      A raposa branca escolheu a quem pertencer.
      E é a pessoa a quem agora pertence também esta concha.
      Pois esta pessoa é como uma flor de Lótus na alma e coração da raposa.

Diga SIM


Uma firme convicção de que uma coisa é real faz com que seja?
Ele respondeu:
-Todos os poetas acreditam que sim.
E em tempos de imaginação, essa firme convicção removeu montanhas;
Mas muitos não são capazes de uma firme convicção sobre qualquer coisa.

William Blake


Um dos meios mais eficazes para transcender o comum e entrar no reino do extraordinário é dizendo SIM com mais frequência e eliminando o Não quase que completamente.
Eu chamo isso de dizer SIM para a vida.
Diga SIM para si mesmo, para sua família, seus filhos, seus colegas e sua empresa.
A pessoa comum diz:
Não, não acho que consiga fazer isso.
Não, isso não vai funcionar.
Não, Já experimentei e nunca funcionou antes.
Não, essa intenção é impossível para mim.
Com a ideia do Não, você atrai mais do Não e sua influência sobre os outros, que poderia ajudar e em quem poderia se fiar para ajuda-lo, é também do Não.
Mais uma vez, insisto para que adopte a atitude do poeta Hafiz:
Eu raramente deixo a palavra Não escapar de minha boca.
Pois esta tão evidente para minha alma que Deus gritou SIM! SIM! SIM!
Para cada movimento luminoso na existência.
Grite SIM para todos com tanta frequência que puder.>Sim
Fazer do SIM o seu mantra interior permite que você extenda o Sim para além de si mesmo e atraia mais Sim em seu próprio intento pessoal.
Sim é o alento da criação.> Sim
Imagine uma gota de chuva juntando-se ao rio no momento em que se torna o rio.
Imagine o rio juntando-se ao oceano no momento em que se torna o oceano.
Você pode quase ouvir o som do SIM sendo murmurado naqueles momentos.
Quando você se junta à força universal da criação,
estendendo o SIM aonde quer que seja viável, transforma-se naquela mesma força da criação.
Esse será seu efeito sobre os outros.
Basta de Não comuns em sua vida.
Avance para o extraordinário. >Sim
Dê-se conta de sua identificação com o convencional ou o comum e comece a ressoar nas frequências energéticas cada vez mais altas (o sim), que constituam um movimento ascendente para as dimensões extraordinárias da intenção pura.
Wayne Dyer

A gratidão é um factor muito importante para a qualidade de vida de uma pessoa.
Quanto a mim, sei que quando estou em estado de gratidão meu canal fica amplamente aberto a qualquer experiência boa que esteja abrindo caminho em minha direcção.
Um coração fechado representa uma linha de comunicação fechada com a fonte de toda a a felicidade, alegria e bem-aventurança.
> Um coração fechado acostuma-se a dizer Não em suas afirmações. ASSIM bloqueio o fluxo.
Acabei adoptando como prática o comportamento de agir como se, isto é, eu actuo como se já estivesse me sentindo grata, mesmo quando estou achando difícil unir o sentimento que só vem naturalmente quando uma pessoa esta agradecida e grata.
E pouco tempo depois de tomar essa atitude eu me sinto grata.
> Quando você tem um pensamento, você planta uma semente: a gratidão, e quando você age como se, ela se desenvolve, então você a colhe. Assim colhemos o que plantamos.
Descobri que cantar uma música para cada coisa que sou grata, enquanto estou dirigindo o meu carro, é um ritual interessante.
Começo minha canção com um simples agradecimento por tudo que há e por qualquer coisa que pareça estar deixando livre um infinito estoque de coisas pelas quais sou grata.
Este hábito que adquiri é especialmente animador quando não estou num estado de espírito particularmente agradecido.
> Veja como é uma pessoa determinada. Quando ela se desalinha, se realinha de novo. Porque ela quer se sentir bem, ela gosta de ser assim, de vibrar assim.
A melodia ou cantiga se torna bastante criativa, e logo descubro que estou sorrindo para mim mesma, o que, aliás, é uma grande forma de alimentar e divertir seu melhor amigo, isto é: VOCE MESMO.
Uma outra coisa que adoro fazer é dizer obrigada!
E eu acrescentaria a este modo de agir a palavra SIM!
Como diz Louise Hay, em sua maravilhosa afirmação:
“ Digo SIM à vida e a vida diz SIM para mim!"
Com este tipo de química flutuando ao redor, em sua cabeça, seu corpo, emanando de você e tocando todos e tudo, esta afirmação tem a tendência de voltar para você, de forma multiplicada!!
Às vezes, esquecemos que somos criaturas de Deus e que o objectivo do CRIADOR era que desfrutássemos desta coisa chamada Vida!
As lições que recebemos na vida podem ser preenchidas com alegria ao invés de tanta dor, e quando nosso comportamento se origina de uma parte amorosa, grata e apreciativa do coração, os Mestres, os Anjos, e os Guias nos ajudam ainda mais.
>> Sim, temos todas as partes, as boas, as ruins, o sim e o não, mas precisamos cultiva-las.
E não estamos sozinhos, frequências amorosas se aproximam quando sentem uma emissão de gratidão......
Acho que quanto mais disposta estou a ser agradecida às pequenas coisas que recebo em minha vida, as coisas grandes parecem surgir de fontes inesperadas e fico, constantemente, aguardando, cada dia, todas as surpresas que estão vindo em minha direcção.
Carolyn Bratton

O primeiro passo que você precisa dar, para conseguir o amor que você quer,
é valorizar o amor que você sente.
O universo sempre lhe dá mais daquilo em que você está se concentrando.
Jesus ensinou :
"Para aquele que tem, mais lhe será dado; para aquele que não tem, mais lhe será tirado."
Com essa afirmação, Jesus estava explicando um princípio metafísico supramente importante, que é a própria chave para a manifestação da abundância.
Jesus estava ensinando a importância de se concentrar no que temos ou queremos, em vez de no que nos falta ou não temos.
Alan Cohen

Eu te agradeço, DEUS, por este mais surpreendente dos dias: pelos saltitantes e verdejantes espíritos das árvores e um verdadeiro sonho azul de céu; e por tudo que é natural, que é infinito, que é SIM.
E.E.Cummings

Agradeço a Wayne Dyer, Carolyn, Alan, e Cummings por compartilhar seus estados de gratidão e por mostrar que temos opções.....
O SIM é um dos mantras mais poderosos do universo.
Ele abre portas onde havia muros.
Ele abre sorrisos onde havia tristeza.
Ele chama a abundância onde havia carência.
Damos o que escolhemos, e recebemos de volta aquilo que damos.
OS semelhantes se atraem, portanto, escolhemos o que recebemos da vida.
O universo sempre lhe dá mais daquilo em que você está se concentrando.
Há dois modos de viver: focar no que não temos, e entrar no clima do Não ou focar no que temos e entrar no clima do SIM
Faça boas escolhas.
Você terá uma forte convicção, para sustentar o Sim quando o mundo , a situação , UM MOMENTO DESAGRADÁVEL disser não?
É na pratica que testamos e validamos (ou não) nossas crenças.
Seja grato por esse dia maravilhoso, por esse magnifico céu azul, pelo bem-te-vi cantando no alto da árvore.
Há muita Vida acontecendo aqui-agora.
Entre no espírito do SIM, O CORAÇÃO SE ABRE e o rio da vida começa a entrar e você começa a desfrutar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Noite Escura da Alma

Encontrei uma expressão Chan (Zen chinês) que diz:

“Grande dúvida, grande iluminação.
Pequena dúvida, pequena iluminação.
Nenhuma dúvida, nenhuma iluminação.”


A tradição nos ensina que existem três pre-requisitos para a prática verdadeira: Grande Dúvida, Grande Fé e Grande Determinação.

1. Grande Dúvida

A maioria das pessoas chegam à prática espiritual motivada por um sofrimento que deu origem a um questionamento. Quase sempre, a pessoa está fazendo uma pergunta do tipo “Por que está acontecento ‘x’?” ou “Por que eu?”

Muitas destas pessoas nem dão continuidade num centro de prática séria, e vão embora depois de uma, duas - algumas - visitas. Outras pessoas, depois de algumas sessões de meditação, sentindo algum alívio do problema imediato que as trouxeram até o zazen, já relaxam os seus questionamentos. Talvez até se tornem associadas, até venham a se considerar “praticantes”. Mas a verdade é: não chegaram a fazer a pergunta essencial, não se abriram para a “Grande Dúvida” e, assim, ainda não entraram realmente no caminho espiritual.

Algumas poucas pessoas, ao passar por uma situação de dificuldade, acabam aprofundando as perguntas iniciais (”Por que eu?”, “Por que está acontecendo ‘x’?”) para começar a questionar: “Quem sou eu?”, “Qual é o significado da minha vida?”, “Qual o sentido da vida e da morte?”.

Estas são perguntas da “Grande Dúvida” - o início da caminhada espiritual. A tradição Rinzai Zen usa os ‘koans’ para provocar a Grande Dúvida. Quanto mais intensamente se vivencie a “Grande Dúvida”, tanto maior será a “iluminação” obtida. Acredito que, na nossa realidade de seres humanos, as nossas “iluminações” são, na verdade, “pequenas iluminações”, pois a diferença entre “ter uma ou algumas experiências de iluminação” e “se tornar uma pessoa iluminada”, ou “se tornar uma pessoa que manifeste plenamente a sua iluminação”, é igual a diferença entre água e vinho.

Os mestres também nos ensinam que aquela pessoa que se acha “iluminada”, não é. Ainda nos ensinam que a prática deve ser constante e pelo resto da vida - e próximas vidas, também.

Portanto, sempre que acreditamos que encontramos uma resposta à “Grande Dúvida”, é importante que recoloquemos a pergunta e sigamos além, além da resposta atual, além da nossa compreensão deste momento, sempre além, sempre nos aprofundando mais e mais.

O grande perigo aqui está em achar que encontramos “A Resposta” e que a “Grande Dúvida” já acabou. Vamos cair numa complacência, arrogância - talvez até nos posicionando como prontos para liderar outras pessoas, mas, na realidade, estamos nos iludindo e iludindo os outros. De certa forma, a nossa caminhada espiritual foi abandonada. O nosso Zazen se tornou um ‘zazen de conforto’, um ‘zazen de consumo’. Sempre podemos encontrar mais um pedaço da resposta à “Grande Dúvida”.

Mas, vamos dizer que você está com o seu questionamento “à flor da pele”. Entrou no caminho espiritual e iniciou uma prática. Aí surge a questão da fé.

2. Grande Fé

O segundo elemento essencial a uma boa prática é uma “Grande Fé”. Fé na prática, fé nos ensinamentos, fé no professor - um ser humano, com falhas humanas, que tem mais experiência no Caminho e algum tanto de “iluminação” manifestada. E, mais ainda, fé na sua possibilidade de poder manifestar a sua própria “iluminação”, de encontrar a “resposta” de sua Grande Dúvida.

Inicialmente, pode ser que parte desta fé você encontre depositando fé nos outros. Você gostou e confia no seu Professor de Darma. Ou admira um praticante budista e confia nele. Mas os seres humanos são literalmente isto - seres humanos, sujeitos a falhas. Podem nos desiludir. Mais ainda, uma das funções dos Professores de Darma é de “puxar o tapete” debaixo de nossos pés. Podem até nos provocar, fazendo com que manifestemos a nossa “sombra”, na esperança de que possamos “iluminar” este aspecto nosso que foi trazido à luz. Nestas horas, podemos até nos sentir “traídos” pelo Professor, enquanto não estamos compreendendo o que ele está tentando nos ensinar. Portanto, temos que ir além desta fé inicial, depositada em seres humanos externos à nos mesmos. De um lado, temos que amadurecer e aprofundar a nossa fé no Professor e outros seres humanos, temperando-a com fé nos ensinamentos e no próprio Darma - passo-por-passo.

E os ensinamentos, que foram transmitidos já durante 2.600 anos - podemos depositar fé neles? Podemos, mas isto também tem suas limitações, pois a transmissão dos ensinamentos depende da comunicação e das palavras, sempre sujeitas às mais variadas interpretações. Transcrições de diálogos entre grandes mestres e os seus alunos não nos transmitem o contexto, o cenário, todos os detalhes que fizeram com que aquelas palavras fossem as mais apropriadas para aquele aluno naquele momento.

No Zen, encontramos inúmeros exemplos de professores que, num momento dizem uma coisa e, em outro momento, dizem exatamente o contrário. Será que estão mentindo? Será que são loucos? Ou será que estão simplesmente falando exatamente aquilo que é mais apropriado para aquele momento, aquele contexto, aquele aluno - para convidá-lo a tomar o próximo passo de aprendizagem? Como alunos do Zen, existem momentos que podemos nos desesperar com um professor que parece estar se contradizendo. Como é forte, nestes momentos, o sentimento de “mas você não falou ‘x’ antes? Por que está falando ‘y’ agora? Qual é a verdade, ‘x’ ou ‘y’?”

Conheço uma mestra moderna que faz isto o tempo todo. Será que ela é louca? Não acho, não. Acho que ela está simplesmente me desafiando a mergulhar para dentro e encontrar a MINHA verdade - e desafiando outras pessoas com quem ela faz a mesma coisa a fazer o mesmo mergulho para dentro. Não é um processo fácil. Mas certamente me oferece a oportunidade de me aprofundar na fé verdadeira que preciso cultivar - a Grande Fé. Fé na minha própria Natureza Buda, fé no Universo, fé no Darma, fé na minha prática, fé em mim mesma. Fé para atravesar a noite escura da alma - ou as noites escuras da alma. É aí que entra o terceiro pre-requisito da prática.

3. Grande Determinação.

Sem a Grande Determinação, não vamos conseguir atravessar a noite escura. Se falhar a nossa determinação, vamos acabar “voltando para trás” em lugar de completar esta etapa da jornada. Não vamos chegar até o raiar do novo dia, aquele pedaço de Iluminação que seria resultado de nosso questionamento, fé e determinação.

Se a nossa determinação for fraca, vamos falhar. Se a nossa determinação depende de outras pessoas para nos apoiar, vamos falhar. Pois a noite escura da alma é exatamente isto. É um momento em que nos sentimos totalmente sós - a nossa dúvida nos consumindo, a auto-confiança cambaleada, a nossa fé no limite - só vemos escuridão e é somente a nossa determinação que nos segura no caminho. Afinal, o momento mais escuro da noite é o momento logo antes do nascer do sol. E é a mesma coisa na jornada espiritual.

Se iniciamos a jornada com uma pequena dúvida, a noite escura vai ser “pequena” e o raiar do sol também. Mas se o nosso primeiro passo foi baseado numa GRANDE Dúvida, a noite escura vai ser igualmente GRANDE. A crise - mistura de perigo com oportunidade - vai ser GRANDE. Para atravessar esta noite escura, vamos ter que descobrir, dentro de nós, fé da mesma grandeza e, por fim, GRANDE Determinação - talvez aquela determinação que diz: “mesmo que perca tudo, não arredo o pé daqui”, “mesmo que eu tenha que morrer tentando, não desisto”, “mesmo que estejam todos me chamando de louco, não saio deste caminho”, “mesmo que todos os meus amigos me abandonem, não abro mão”. Talvez a vida vá nos exigir uma entrega total, a “morte simbólica”, morte do ego, morte para tudo que pensávamos que importava. Mas na realidade, a vida está nos convidando a passar pela morte dos condicionamentos - nos convidando à Libertação.

No meio da noite escura da alma, passamos por uma fase de ficar só enxergando as perdas, as “mortes”. Talvez percamos contato com a nossa fé. Talvez nos entreguemos ao medo. Talvez não resistamos às pressões e voltemos correndo, tentando voltar à nossa ‘zona de conforto’ anterior, voltar à ‘harmonia conhecida’, voltar às amizades e relacionamentos antigos que não queremos arriscar perder, buscando apoio externo na falta de nosso próprio apoio interno. Quantas e quantas pessoas fraquejam neste ponto, justo quando estão quase lá, quase vencendo esta fase da jornada. Que tristeza! É como se vendessem a alma, caissem em “tentação”.

É por isto que todas as tradições espirituais falam da dificuldade da jornada. Todas as tradições espirituais têm a sua forma de descrever o processo de passar pela “noite escura da alma”. Algumas tradições xamânicas ou indígenas usam “jornadas interiores” indo ao encontro da morte e renascimento simbólicos, desmembramento e “re-membramento” simbólicos, para facilitar esta passagem. A tradição budista nos fala da determinação de Buda quando ele sentou em baixo da figueira, decidido a não se levantar dali até que encontrasse a resposta, a Iluminação. Fala, em linguagem simbólica, dos ninhos que pássaros construiram em seu cabelo, das teias que as aranhas teceram, das plantinhas que cresceram entre os dedos dos seus pé - tudo para nos ajudar a imaginar uma determinação tão firme, inquebrantável que permitisse que ficasse lá - sentado em meditação - o tempo suficiente e com a “imobilidade” - firmeza de propósito - suficiente para atingir a Iluminação.

Lembro-me de momentos de dúvida (dúvidas que pareciam bastante grandes para mim, na época), onde toda a minha fé foi posta à prova e onde parecia que a minha determinação não ia agüentar - e lembro-me dos raiares do sol que vieram no final daquelas noites escuras da alma. Não posso dizer que eu tenha atingindo qualquer GRANDE Iluminação, mas com certeza, sinto que posso dizer que cheguei em algumas pequenas iluminações, de acordo com a minha capacidade de ter uma dúvida, de cultivar a fé e de achar dentro de mim mesma a determinação de prosseguir até a hora do sol nascer.

Como será que isto vai acontecer? Como será o momento da virada, de uma pequena iluminação? Vai ser o seu momento, único, totalmente diferente dos meus momentos - e nem para mim um momento será igual ao outro. Só posso compartilhar que, para mim, a virada vinha muitas vezes quando eu finalmente parava de lutar contra os acontecimentos e me entregava totalmente. Sabia que a gente tem todo o direito de espernear e reclamar tudo que quiser neste universo? Só que o Darma simplesmente vai continuar procurando nos ensinar. Então não precisa se sentir culpado por passar por uma fase de “briga com o universo” antes de chegar numa entrega! Outras vezes, a virada veio quando finalmente percebi a “comédia dos absurdos” numa situação e caí nas gargalhadas, de corpo e alma. De qualquer forma, a virada vinha quando algo dentro de mim mudou. A mudança nunca vinha de fora, só de dentro. Este que é o detalhe importante: a mudança tem que vir de dentro.

A noite passa. O novo dia nasce. A Luz retorna. Portanto, se você estiver atravessando uma noite escura da alma, não abra mão de sua fé, não vacile na sua determinação. Não tente voltar ao “conforto” ou “harmonia” ou “segurança” anterior. Se, no seu coração você sabe que está ouvindo a voz de sua Natureza Buda, prossiga firme. Mergulhe, deixe que a Grande Dúvida lhe “consuma” até os ossos, até a medula, até restar somente o grande Vazio. Estique a sua fé, mantenha a sua determinação - e atinja mais um pedaço da Iluminação. O importante é de sempre manter-se firme na busca de Sabedoria e Compaixão.

Se você está com mais Sabedoria e Compaixão, mais Paz e Tranqüilidade no “dia seguinte”, saberá que atravessou a noite. Mas, se está com alguma raiva, algum mal-estar, alguma inquietação, saberá que ainda não terminou a travessia ou, pior, saberá que desistiu no meio do caminho e voltou para trás. Mesmo assim, não perca esperanças, não se critique, não se julgue. Você fez o seu melhor. Aprenda com o processo. Veja onde “falhou”, onde “errou” e comece de novo. A vida sempre nos oferece novas oportunidades. Temos todo o tempo do universo para nos iluminar - kalpas e kalpas estão à nossa disposição!

Então, não tenha medo. A noite passa.

Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres e que possamos todos nos tornar o Caminho Iluminado.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pensamentos...

Hoje parei para revisar algumas coisas...
Tanto na vida quanto na espiritualidade...
Havia voltado a fumar... nos últimos dias...
Parei novamente... Pois o motivo cessou...
Essa poesia do Oswaldo, reflete muito, sobre mim, e sobre o que sou...
Não sou totalmente comum, não ajo como as pessoas comuns...
Porque acho que se eu for uma pessoa comum, não serei eu mesmo...

Sendo eu mesmo, posso ser como sou, sem medo de sofrer...
Sendo comum, teria os mesmos medos que todos têm...
Meus medos são diferentes, ainda assim são medos...
Mas não me paralisam... Minha forma de agir é distinta...
Hoje, não quero dominar... Não quero cativos à força...
Quem estiver a meu lado, terá que estar por livre opção ...

A quem o meu amor for entregue... saberá...
Que os sonhos todos podem ser realizados...
Que os mínimos desejos, podem ser atendidos...
Mesmo que não se mova uma só folha para tal...
A quem quiser me conhecer realmente...
Que tenha ouvidos...
Que tenha coração...
Que tenha paciência...
Pois sou muitos em mim mesmo,
Perdido em pensamentos,
Perdido em caminhos invisíveis...
A quem quiser me merecer realmente...
Não precisa de tanta riqueza (pois riqueza para mim é sentimento)...
Não precisa de tanta beleza (pois beleza para mim é a verdade)...
Não precisa de tanto...
Só preciso de pouco...
Mas que esse pouco, seja realmente...
Íntegro... Total... Pleno...
Não procuro paixões ardentes (embora possa arder como vulcão)...
Não procuro amores eternos (porque sei que o amor mais puro acaba, se não for cuidado)...
Não procuro soluções para minha vida (porque a solução dessa vida sou eu)...
Procuro apenas alguém...
Que queira estar perto...
Que queira me ouvir, mesmo em meus momentos de insanidade...
Que queira me ouvir de perto, que queira me amar,
Que realmente me ame quando eu menos merecer...
Procuro uma pessoa...
Que queira ser amada...
De forma sublime...
De forma humana...
Mas que não me veja apenas como homem... mas também como pessoa

Procuro a pessoa... que vai me ver, quem eu sou, como realmente sou,
E vai permanecer... E não fugir...
Sim, eu também desejo ser amado... como todos...
Sim, eu também desejo ser escutado... como todos....
Sim, eu também sou humano... como todos...
Não quero ser melhor...
Não quero ser pior...
Não quero ser igual...
Só quero ser eu....
E poder ser eu sempre...
E ser reconhecido pela voz e pelo olhar da pessoa que amo...
Eu não tenho toda a sorte do mundo...
Mas tenho toda a disposição...
E mesmo que o mundo me tente forçar a parar...
Eu continuo... sempre... esbarrando, criando novos caminhos...
Caindo, levantando...
Porque mesmo que desanime em alguns momentos...
São nos momentos mais improváveis que minha força se renova...
E tendo isso em mim... Sou o agora...
Não quero relembrar do passado, ressentindo as dores...
Não quero ficar planejando o futuro, sem viver meu presente...
Não quero viver meu presente, sem ser 100%.
Se estou do seu lado... sempre estarei ali 100%.
Mesmo que meu olhar divague para o horizonte...
É porque assim posso abrir meu coração para olhar o que há dentro do seu...
E escutar o que seu coração diz...
E tentar fazer o melhor para a pessoa que amo, e para mim...




Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei


Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

Por que nos decepcionamos com o Amado

Por que nos encantamos sentimentalmente com uma pessoa? Ainda não podemos responder integralmente a esta pergunta fundamental. Fomos capazes de avançar muito a esse respeito nos últimos anos, de modo que algumas conclusões parciais podem ser muito úteis para que cometamos menos erros.

Nós nos envolvemos com outra pessoa porque nos sentimos incompletos em nós mesmos. Se nos sentíssemos inteiros e não “metades”, certamente não amaríamos. Sim, porque o amor corresponde ao sentimento que desenvolvemos em relação àquele que nos provoca a sensação do aconchego e completude que não conseguimos sentir quando estamos sozinhos. A escolha do parceiro, daquele que irá nos fazer sentir menos desamparado, é repleta de variáveis intrigantes que vão desde o desejo de também nos sentirmos protegidos até aquelas em que precisamos nos sentir úteis e até mesmo explorados.

Neste momento, estou querendo me ater um pouco ao processo do enamoramento, no encantamento inicial que faz com que uma pessoa “neutra” se transforme em indispensável, sem a qual não podemos imaginar seguir vivendo. O processo, que não raramente se dá em poucos instantes, depende de elementos nem sempre detectáveis. É claro que a aparência física das pessoas envolvidas desempenha um papel muito importante no fenômeno do enamoramento. Esse aspecto inicial do encontro amoroso não deve ser confundido com o amor propriamente dito. O amor é paz e aconchego ao lado de uma pessoa, ao passo que o enamoramento corresponde ao processo pelo qual esta pessoa é escolhida - e que, como regra, corresponde a um período nada sereno; o amor é uma emoção ansiada, mas nos chega acompanhado de muitos medos.

No que diz respeito à aparência física, é claro que o elemento erótico se destaca, especialmente nos homens que têm um desejo visual marcante. Acontece que, por caminhos diversos, muitos são aqueles que guardaram em suas memórias registros de figuras que muito os impressionaram e que se transformaram em modelos ideais com os quais cada nova pessoa conhecida é confrontada. Por vezes é algo geral, incluindo a forma do corpo; outras vezes é a cor dos olhos, dos cabelos, o tipo de seio, os quadris. Algo que pode lembrar, desde suas mães até alguma estrela de cinema que muito lhes tenha impressionado. A verdade é que, por outras vias, as moças também guardam dentro de si indicadores do que elas acham que seja o homem ideal para elas: podem ser esbeltos ou musculosos, intelectualizados ou executivos, voltados para as artes ou poderosos, e assim por diante. Todos esses ingredientes incluem elementos eróticos, mas todos eles se transformam, em nossa imaginação, em símbolos dos nossos parceiros ideais. De repente, julgamos ter encontrado um número importante de tais símbolos naquela pessoa que nos passou pela vida. E nos enamoramos.

Assim sendo, o fenômeno do enamoramento se fundamenta em aspectos relacionados com a aparência do outro. É claro que costuma ter relação com o que a pessoa é por dentro. Mas a correlação não é absoluta e nem assim completa. Conversamos com a pessoa que nos atraiu e, em virtude da atração inicial que sentimos e do nosso desejo enorme de amar, tendemos a ver no seu interior as afinidades e peculiaridades que sempre quisemos que existissem naquele que nos arrebataria o coração.
Por exemplo: um rapaz mais franzino, mais intelectualizado e voltado para as artes é visto, mais ou menos rapidamente, como emotivo, romântico, delicado e sensível, pouco agressivo, que respeita os direitos da mulher e não é exageradamente ciumento. Uma moça se encanta com ele e espera que ele seja portador de todas essas peculiaridades. Essa expectativa se transforma, mais ou menos rapidamente, em certeza de que elas existem. A moça projeta seus sonhos de perfeição naquele rapaz que tanto a encantou e passa a ter certeza de que as propriedades desejadas estão lá. O fenômeno é o da idealização, pelo qual acreditamos que o outro contenha todas as peculiaridades que dele esperamos.

Sonhamos com o príncipe encantado – ou com uma princesa ideal – e, ao nos enamorarmos, projetamos todos os nossos desejos sobre aquela pessoa. Passamos a conviver com ela e a esperar dela as reações próprias do ser que idealizamos. O que acontece? É a pessoa real a que irá agir, reagir e se comportar de acordo com suas efetivas peculiaridades. Não poderemos deixar de nos decepcionar, não obrigatoriamente por causa das peculiaridades efetivas do amado, mas porque despejamos sobre ele todos os nossos sonhos e exigências de perfeição. O erro nem sempre está na pessoa e sim no fato de termos sonhado com ela mais do que prestado atenção nela, no que ela efetivamente é. Eis aí um bom exemplo dos perigos derivados da sofisticação da nossa mente, capaz de imaginar de uma forma livre e tão grandiosa que a realidade jamais irá alcançar.


Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Confira o programa "No Divã do Gikovate" que vai ao ar todos os domingos das 21h às 22h na Rádio CBN (Brasil), respondendo questões formuladas pelo telefone e por e-mail gikovate@cbn.com.br
Email: instituto@flaviogikovate.com.br